Projetos

 

USP  [2017]  •  projeto de pesquisa
Modernidade capitalista e formas de socialização: modernização social, circulação cultural e transferências no sistema-mundo moderno (séc. XIX)
Resumo: Este projeto é dedicado à análise o problema da socialização, em um antigo espaço colonial (Impéri brasileiro), por meio de percepções morais sobre a nascente vida urbana à luz da modernização capitalista (entendida nos quadros do sistema-mundo moderno) da segunda metade do século XIX. A pesquisa investigou diversos conjuntos documentais (jornais, livros, relatórios oficiais, livros didáticos etc.) a fim de enfatizar a estruturação do campo da moralidade em práticas difusas de constituição do espaço social e seus mecanismos de estima, reconhecimento e prescrição estutural de condutas. O argumento central, portanto, consiste em investigar a produção/reprodução da modernidade a partir da dinâmica entre formas de consciência (percepções morais) e valores de socialização, enfatizando a tangibilidade da forma social mediante os impactos e as disjunções das transformações materiais em uma região periférica. A publicação da pesquisa, em 2017, ocorre em três etapas: (1) texto “Moral scenes from urban life”, publicado em coletânea organizada por Wiktor Marzec (Univ. Central Europeia – Hungria), Michal Pospiszyl (Univ. de Varsóvia – Polônia) e Katarzyna Czeczot (Academia Polonesa de Ciências); (2) paper de conferência ministrada no IESP-UERJ, em março de 2017, mediante convite dos pesquisadores em teoria política do grupo ‘Beemote’ (coord. Christian Cyril Lynch e Luiz Carlos Ramiro Jr.); (3) verbete a ser publicado em coletânea francesa (no prelo).

 

USP  [2017]  •  projeto de pesquisa
Educação, vida urbana e moralidade: a elaboração do povo e a invenção do social no fin de siècle brasileiro
Resumo: Esta pesquisa pretende analisar a elaboração e a difusão de saberes sobre a educação dos cidadãos no fin de siècle brasileiro, período compreendido entre os anos 1870 e os anos 1890, como mecanismos de gestão moral da população. Em um contexto de importantes transformações no Brasil oitocentista (crise do Império e construção da República, vida urbana, esfera pública, multidões urbanas, imigração etc.), a disseminação de percepções sobre a educação e a moralidade (por meio de jornais, livros, livros didáticos, conferências pedagógicas, exposições universais, relatórios oficiais, pareceres manuscritos) situa o problema da educação em uma relação com valores que, dispostos estruturalmente como prescrições do agir (campo da moralidade), delimitam coordenadas da socialização e da organização da sociedade nacional. Nesse sentido, a construção de uma gramática moral da socialização (trabalho, virtudes, honra, religião etc.) implica um conjunto de coordenadas formativas que, tematizadas à luz da vida urbana, desenham possibilidades do governo da cidade e da nascente população urbana por meio dos processos de educação (entendidos como práticas difusas de produção e reprodução de valores). A educação, constituindo a tangibilidade da forma social e de seus componentes morais no oitocentos, articula a formação do Brasil com uma ampla rede de transferências culturais a partir da difusão de imaginários e do circuito de transformações capitalistas da modernidade oitocentista.

 

Unesp  [ 2013-2016 ]  •  projeto de pesquisa
Moral, educação e religião na civilização da infância no Segundo Reinado
Resumo: Neste projeto analisei o lugar da educação, da moral e da religião na construção de imagens e de saberes sobre a infância na Corte imperial (Rio de Janeiro), especificamente no período compreendido entre as duas importantes reformas do ensino: a reforma do ministro Couto Ferraz, em 1854, e a do ministro Leôncio de Carvalho, em 1879. Trata-se de um momento em que a infância era efetivamente objetivada nas atenções do Império a partir de processos de educação específicos, já que, além da produção livresca destinada àquele público (tanto livros de leitura quanto livros didáticos), os grupos letrados debatiam dimensões da instrução/educação em congressos e periódicos, apoiando, inclusive, a formulação de preocupações intitucionalizadas para a educação da infância (escolas, conferências públicas, institutos para crianças cegas e surdas, asilos para crianças desvalidas e sociedades de instrução). A pesquisa está fundamentada, sobretudo, em relatórios oficiais do Império, documentos de instituições de ensino e de caridade, livros escolares, periódicos e pareceres manuscritos de professores. Instruir, educar e moralizar: três fundamentos para que os jovens engenhos fossem inseridos no conjunto da sociedade imperial – momento em que a infância era construída, sobretudo, no horizonte político do Império, estabelecendo alguns importantes nexos entre uma nascente esfera educacional e a coerência de sua forma social estruturada a partir da rotinização de valores do campo da moralidade.
Apoio: CAPES

 

Unesp  [ 2010-2012 ]  •  projeto de pesquisa
O tempo sagrado do Império
Resumo: Este trabalho investiga alguns traços da concepção de história veiculada pelos compêndios destinados à formação da infância no Brasil imperial. Analisando as obras escritas pelo cônego Joaquim Caetano Fernandes Pinheiro (RJ, 1825 – RJ,1876) – impressos largamente utilizados nas escolas primárias, secundárias e normais entre os anos 1860 e 1880 -, pretende-se indicar de que modo as narrativas de história do cônego apresentavam aos jovens engenhos um tempo histórico para o Império, fundamentando as virtudes do governo do presente. Ao organizar fatos, datas e “grandes homens” em lições destinadas especificamente ao ensino da infância, as obras de Fernandes Pinheiro diluem a escrita da história em uma narrativa cujo enredo é orientado pela centralidade da religião na civilização do Império (com a narrativa situada numa temporalidade, não raro, marcada pela interferência da Providência no curso dos eventos), construindo o tempo histórico a partir da projeção de uma origem virtuosa que se desdobra como um “continuum” no presente imperial necessário para o governo moral e político de uma nação. Trata-se, também, de articular a escrita da história aos traços estruturais do processo de construção do saber escolar por meio da gradativa formação de uma cultura escolar à luz do papel fundamental desempenhado pela cultura letrada dos impressos nas salas de aula do Império. Interpelando o presente imperial como cumprimento de um processo político, social e moral, os livros didáticos de história do período tematizam a nação, a um só tempo, como conformadora de valores para as ações no novo espaço nacional (assumindo como referente uma forma social estruturada) e como fundamento para uma identidade narrativa que articula a ética historiográfica a processos sociais de configuração do espaço nacional em uma antiga região colonial.
Apoio: FAPESP

 

Unesp [ 2007-2009 ]  •  projeto de pesquisa
Formação religiosa e educação colonial
Resumo: Esta pesquisa analisa as experiências educacionais vivenciadas por jesuítas no Brasil colônia do século XVI. Para tanto, a investigação direcionou-se ao estudo das dinâmicas educacionais na formação da Casa de São Paulo de Piratininga, núcleo de catequese jesuítico que deu origem à atual cidade de São Paulo. A análise fundamenta-se em cartas escritas por jesuítas, na colônia, na região de São Paulo de Piratininga, entre 1554 (ano da fundação da Casa de São Paulo) e 1563 (quando o jesuíta José de Anchieta apresenta testemunho sobre os efeitos do ensino ministrado pelos membros da Companhia de Jesus naquela localidade). A documentação compreendida pelas cartas jesuíticas evidencia importantes relatos da experiência colonial e do cotidiano missionário intimamente ligado às atividades educacionais, com a constituição de um modo particular de compreender a educação, que tomava como eixo fundamental a construção de um modelo pedagógico indissociável da catequese, que conferiu unidade às práticas religiosas e culturais jesuíticas. Desse modo, a formação religiosa tornou-se a base da cultura escolar construída pela Companhia de Jesus no Brasil colônia do século XVI.
Apoio: FAPESP

 

UFTM   [ 2011- ]  •  projeto editorial
Revista Cadernos CIMEAC  |  ISSN 2178-9770
Editor-chefe da revista Cadernos CIMEAC, periódico internacional mantido pela UFTM em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Educação da mesma instituição. Trata-se de uma revista acadêmica dedicada, sobretudo, a temas referentes à educação popular na América Latina e em outras regiões. Publicamos artigos, resenhas e entrevistas, além da edição de dossiês temáticos. O periódico foi efetivamente incorporado pela UFTM em 2015.

 

© Felipe Ziotti Narita  |  2017